terça-feira, 16 de julho de 2019

O que vem depois?

Foi necessário esforço para chegar até aqui. Me entreguei completamente, e assim, perdi quase toda minha força. Cheguei a ponto de desistir, mas algo me motivava a continuar. Talvez assim eu tivesse menos desprezo por mim mesma, e isso já me bastaria como recompensa.

Foram noites em claro na busca daquilo que me fizesse alcançar o que tanto quis. Não sei se era bem um desejo. Naquela condição, se assemelhava à uma necessidade. E eu necessitava daquilo mais do que qualquer coisa.

Posso ter caído e permanecido no chão por bastante tempo, mas mesmo assim, minha vida tinha um porquê. Cada lágrima, cada respiração, cada segundo. Nada era em vão.

De tanto correr atrás, enfim consegui o que eu queria. Pensei que assim eu tivesse alcançado também a felicidade, já que me dediquei tanto, mas me enganei.

E agora? Se cheguei ao topo, como ir além? Pelo que vou lutar? Pelo que vou viver? Talvez não haja nada. Talvez eu seja destinada à uma vida de insatisfação. Se sim, estou no lugar certo. Subi tão alto que ficou impossível descer. Tenho medo de altura. 

Bittersweet memories

Parados, cabisbaixos. Esperando uma palavra, um gesto, um aceno de adeus, que seja. As lágrimas escorriam em ambos os rostos. Eu tremia. Não queria que fosse dessa forma, mas teria que ser. Sabíamos que era o certo. Mas doía, como doía. Terminar, assim, depois de tanto tempo. Tornávamos tudo tão complicado. Presos ao passado, afogados em meio a um mar de memórias que haviam nos dilacerado até o último segundo. Resistimos muito tempo, uma hora teríamos que desabar.

Desabamos.

Segurei sua mão e disse que te amava.
O último beijo.
A última troca de olhar.
Tão frio, tão vazio.
Acabou.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Where's your heart?

Ambos sabemos o quão impossível são as chances de você retribuir um oitavo do que sinto por você. Não há palavras, sejam elas delicadas ou não, que mudarão o que eu já estou cansada de saber.
Quanto mais o tempo passa, mais tenho a certeza de que você é ridículo e que não merece nada que eu faço ou faria por você, mas não adianta. A mais correta certeza não se compara ao meu tão tolo coração, que se torna totalmente cego quando se trata de minha enorme obsessão por você. Acaba que, por amar, a ridícula se torna eu.
Bondade seria se eu lhe dissesse que seu coração é feito de pedra. Pois nem a mais dura e a mais fria pedra chega a ser tão sem vida e tão sem sentimento, quanto isso que você chama de coração. Não sei como algum dia eu já lhe disse que você é motivo para se ter orgulho. Eu tenho vergonha. Vergonha por esse estúpido sentimento que se instalou dentro de mim, por um ser tão irracional quanto você.
Eu duvido que algum dia você seja capaz de reconhecer tudo que faço por você. Duvido que algum dia dessa mísera vida, eu escute palavras razoavelmente positivas saindo de sua boca, vindo em direção a mim.
Pode rir, você junto aos seus amigos. Ria o quanto quiser. E não pense, por um segundo, que você é sempre a primeira pessoa que penso. Esqueça o fato de que eu me importo com você e nem ouse se lembrar do quanto me fez sofrer. Mais uma vez, maltrate quem morreria por você.

We live a dying dream, if you know what I mean

Em busca do nada, retornei algumas vezes no mesmo pensamento inútil que há segundos anteriores havia se espalhado junto a atmosfera. Em minha cama, somente algumas folhas de papel com textos inacabados, um CD de Oasis que eu estava escutando repetidamente durante em média 5 horas, enquanto lia umas cartas antigas que encontrei por baixo de minha cama, em uma caixa um tanto quanto empoeirada. Junto das cartas, havia também alguns brinquedos velhos, uns movidos à pilha, mas que nem funcionam mais. Alguns vídeos cassetes de filmes infantis e algumas fotos de comemorações.
Em meio àquelas fotos, noto uma talvez um pouco peculiar. Minhas mãos avançam em direção a tal foto e, assim, a observo de forma atenta, mas ao mesmo tempo viajada. Não sei bem explicar. Tal foto me deixava nostalgica.
Na foto, três pessoas. Um homem, com uma barba mal feita, um cabelo meio desarrumado, roupas largas. Uma mulher, de cabelo liso, óculos redondos, um sorriso estampado no rosto e por fim, um bebê em suas mãos. Tão tola, mal pude perceber que aqueles na foto se tratam de, ninguém mais ninguém menos que eu e meus pais. Estranho. Talvez nem tanto, se você tem a oportunidade de conviver com eles durante toda sua vida. Talvez você me entendesse se os perdesse aos dois anos de idade, certo? Acredito que sim.
Olhava aquela foto e pensava "são completamente desconhecidos pra mim". E não passava disso: desconhecidos. Se alguém com a mesma aparência que meus pais me parasse na rua ou em qualquer tipo de lugar, os ignoraria e não olharia para trás. Todos vivem com o pensamento de que não conseguem imaginar sua vida sem seus pais. Bom, já eu, penso somente em como seria uma vida com pais. E isso, sinceramente, não me parece algo muito comum.
Me irrita, a ponto de encher meus olhos de raiva, quando dizem que sou uma "exceção". Não. Não sou exceção nenhuma. Sou o erro, o problema. Nasci somente com um objetivo: causar problemas. E, se este for mesmo o motivo pelo qual nasci, acredito que esteja o cumprindo de forma exemplar.
Vivo uma vida sem motivação, sem ter a quem ser motivo de orgulho. Talvez este seja o motivo pelo qual não faço nada direito. E, sabe, não tenho interesse algum em fazer algo corretamente. Acho que, bem, não sirvo pra nada. Sou um núcleo de falta de talento, em todos os sentidos possíveis e impossíveis. Vivo apenas escrevendo alguns textos, sem lógica alguma, para somente uma pessoa ler: eu. Escrevo, digo que amo e, realmente, amo mais do que qualquer coisa nessa vida. Mas nem mesmo o que mais gosto de fazer tenho a decência de fazer direito.
Então o que me resta? Apenas uma vida vazia. A mesma sala, os mesmos corredores indo na direção a quartos total e completamente vazios. Por mais que procure, jamais irei encontrar alguém ou algo dentro desta sala. O único movimento que sou capaz de observar é o de meu braço erguendo, até chegar próximo aos meus olhos, para secar as lágrimas que o tempo fora capaz de arrancar. 

The long and winding road

As vezes coloco em minha cabeça ideias idiotas de que tenho que fazer tudo e fazer alguma diferença. Coloco em minha cabeça que tenho que ser especial, fazer algo marcante, para que todos se lembrem do meu nome. 
Esse ânimo repentino surge, mas rapidamente se vai. Quando vejo, já não quero fazer nada, a não ser ficar parada em frente a TV, me entupindo de besteiras enquanto vejo a vida passando diante de meus olhos, e eu sendo invisível, como sempre. Talvez por medo de ser notada por todo fracasso, acabo tentando sumir, para que ninguém perceba nem sequer uma sombra de mim.
Tento procurar dentro de mim algum motivo, alguma razão, para continuar me movendo, com a esperança de um dia chegar em algum lugar, olhar para trás, me deparar com tudo pelo que passei e ter o orgulho de dizer com toda convicção do mundo, que o passado me tornara mais forte. Porque hoje, passando por tudo que passo, tenho uma especie de medo, porque aparentemente isso só tem me tornado mais fraca. Cada passo que dou, é um passo ansioso e ao mesmo tempo desanimado, para chegar o quanto antes possível, no fim de toda essa jornada rumo ao nada.

The art of suicide

Por trás do muro que eu mesma construí, tento encontrar uma saída. De todos os companheiros que julgava ter, apenas um permaneceu fiel: o medo. E junto a mim, esse medo foi crescendo, tomando espaço.
Me tornei uma mistura de sangue e covardia. E tal sangue possui o desejo insano de se jorrar para fora deste meu corpo, fisicamente vivo, para terminar o trabalho que as marcas do tempo começaram.
E talvez, a sensação de estar a beira da morte seja melhor do que a de permanecer nessa estrada pela qual não sei se devo continuar e não tenho forças para voltar e começar um novo caminho. Talvez a morte seja a saída de quando não há mais saídas.
Mas sou covarde o bastante para não concluir tal ato. Sou fraca, não suportaria a dor de dar adeus para as poucas e insignificantes coisas que me apeguei, que possuem o estúpido sentimento que é o amor. E se continuo aqui, viva, é somente por tudo aquilo que amo. Talvez seja por isso que odeio tanto amar. Porque é isso o que me prende nessa ilha no meio do nada. 

So I still believe in nothing

Tento ver com clareza o que há por trás de seus olhos, tão amargamente direcionados aos meus. Tento encontrar, neles, alguma resposta, ou até mesmo alguma pergunta. Qualquer nada vale mais que a imensidão de dúvidas pela qual estou mergulhada, tão profundamente.
Olho, retorno a olhar, mas nada. Não consigo extrair resposta alguma de seus olhares frios e sem vida. Talvez não haja nada. Talvez seja, mais uma vez, coisas da minha cabeça. Mas ainda insisto em procurar o que não existe. Insisto em achar que há algo, por mais que eu olhe e não encontre.
Já não sei mais quanto tempo irei perder para poder entender que dentro de seus olhos só há uma escuridão sem fim. Não sei em quanto tempo vou encontrar a saída do labirinto pelo qual me perdi, dentro de tais olhos. Talvez, a saída seja seu coração. Mas é uma tarefa um tanto quanto árdua conseguir encontrá-lo. Sempre acreditei que você não o tinha, confesso. Mas terei de encontrar, para quem sabe junto a ele encontrar paz, felicidade.

Por sua causa

Eu jurava ter visto o sol, mas o que eu vi foram apenas algumas falsas luzes que logo se apagariam.
Você me fez acreditar que eu ainda poderia ser feliz, me tratou como se eu fosse realmente especial. Me fez esquecer meus problemas, me fez sentir amada. Me entupiu de ilusões, mas isso não durou tanto quanto você esperava. Hoje sei a verdade. Sei quem é você, sei o que você tem dentro e também sei o quanto é insensível. Você não pensou um segundo na minha felicidade, não é? Seu pensamento foi unicamente focado em seu benefício, no que te faria feliz. 
Eu perdi tanto por você, e o que ganhei em troca? A certeza de que não sou nada disso que você me fazia crer. A certeza de que você é absurdamente estúpido. Me fez ter raiva até mesmo de mim, por ter sido tão crédula e tão ingênua a ponto de ser levada pelas suas palavras. Ganhei mais um dia de sofrimento, nessa mísera vida.
Você não presta! A cada segundo me convenço mais disso. Eu me arrependo, mais do que profundamente, por ter te chamado de amigo. Por ter acreditado que em você encontraria alguma paz, sendo que isso somente aumentou o buraco que tenho em meu coração. Você me decepcionou. Muito.

Pela última vez

Cansei de chorar, cansei de sofrer. Cansei de dedicar os segundos da minha vida a alguém que não merece. Cansei de você.
Não. Não deixei de te amar. Isso é algo que nunca, em toda minha vida, irá acontecer. Te amo eternamente, isso nada poderá mudar. Mas eu cansei. Você não merece que eu sofra tanto assim. Eu não mereço ser tratada tão mal por uma pessoa que possui o mesmo valor que eu. Não devo me rebaixar tanto, quando quem é inferior nessa história é você.
Nunca pedi nada de mais. Apenas um pingo de compreensão já me bastaria, mas nem mesmo isso você foi capaz. Lhe ofereci meu coração e você me ofereceu ingratidão. E o pior, ainda foi capaz de mentir, dizer que era compreensivo. Não sei bem seu conceito de compreensão, mas acredito que esteja bastante longe do que suas atitudes revelaram. 
Você é um idiota, estúpido. E o pior é saber que eu te amo, seu otário! Não entendo o que vejo em você, sendo que nem por dentro nem por fora você presta! Você é vazio. Completamente vazio. 
Tenho vergonha de mim por ter dedicado tanto tempo a alguém como você. Foram os três anos menos bem gastos de toda minha vida, com um estúpido sentimento que se instalou dentro de mim. Algo que, antes, era inofensivo e relativamente bom. Mas que, com o tempo, fora se transformando em meu pior inimigo, minha maior barreira que me impedia de sorrir, de ser feliz. A ausência de sorriso em meu rosto era sempre pelo mesmo motivo. As mesmas quatro desgraçadas letras do seu nome.
Mas agora, acabou. Cansei de você, de tentar o que nem eu mesma sei o que tentei durante esse tempo todo. Pois saber que não havia chances com você, sempre soube. Quando lhe disse que o amava, não esperei que me dissesse "eu te amo também". Mas eu buscava que você tivesse uma mínima consideração comigo, algo realmente insignificante, comparado ao que eu era/sou capaz por você. Mas já não me importa mais! Você não foi capaz disso e, agora, vou tentar seguir em frente. 
Chega de você.
Você me enoja.
E agora, mais do que nunca, posso dizer: eu (amo) odeio você.

O coração se tornou frio

E a brisa que tateava meu rosto já não era mais a mesma. 
Estranho. Era de meu costume estar ali, naquela rua deserta, sentada em um banco de praça qualquer, que com o tempo se tornou levemente enferrujado. Era lá onde eu passava o resto do meu dia, escrevendo em folhas de papel avulsas. Mas, desta vez, minha mão se recusava a escrever uma palavra sequer. 
Encarava o papel, segurava firmemente a caneta, suspirava e... nada. As palavras iam embora com o vento, o mesmo que tornava meu corpo tão vulnerável. Me sentia mal por não conseguir exprimir o que sentia. Era algo novo pra mim, que não me contentava com somente uma folha.
Se não podia mais escrever, o que me restava? A escrita sempre foi meu refúgio, e ela me abandonou, ali, naquela tarde. 
Lágrimas. 
Tentei me confortar com as lágrimas, pois talvez fossem minha segunda saída. Chorar me deixa mais viva, me faz saber que tenho sentimentos - coisa que poucos têm.
Forçava os olhos, na tentativa de cair uma lágrima. Somente uma já me bastava, mas não. Meus olhos continuavam secos; o que eu sentia continuava preso.
Não. Aquela não era eu. Eu choraria, enquanto traço no papel uma série de palavras, melosas e clichês. 
O que houve comigo?
Quem era aquela no meu lugar?
Tentei, juro. Mas não, nada saia. Nem lágrimas, nem palavras.
Talvez fosse isso que tinha dentro de mim: nada.

Não volta mais

Todos aqueles conselhos que recebi, dizendo que bastava lhe contar a verdade para que eu parasse de sofrer, eram mentira. Começar pelas suas poucas palavras diante das tantas que disse. Não que eu esperasse muito - ainda mais de você -, mas esperava um pouco mais que aquilo.
Conversar com você se tornou difícil, mais do que já era. E eu não posso mais dar a desculpa de que sua forma grossa de falar comigo é apenas porque não sabe o quanto sofro, porque agora você sabe.
Confesso que me arrependo por ter dito que te amo. Pra ser sincera, só piorou as coisas. Confesso que gostaria de voltar no tempo e me impedir de fazer tamanha burrice. Mas, infelizmente, não há essa saída. A vida sempre opta pelo caminho mais difícil, pelo qual tenho que passar por coisas semelhantes.
Sabe por que mais me arrependo? Porque eu jamais poderei olhar novamente dentro de seus olhos, sem que você perceba o quão perdida estou. Jamais poderei rir de suas piadas sem graça - algumas confesso que eram engraçadas -, ou pentear seu cabelo com um chaveiro. Jamais irei ver você insistindo pra jogar ping-pong comigo, jogar areia no seu cabelo ou fazer você levar um caldo... Nada será o mesmo, tudo por culpa minha e dessa minha coragem estúpida que tive. O antigo você morreu, e eu que o matei.

Me desculpe,

por ter sido tão idiota. Você nunca mereceu escutar o que eu disse, nem ser chamado do que foi. Eu fui uma estúpida, por não aprender a dar valor a quem, pela primeira vez, conseguiu me fazer sentir bem. Me desculpe pelas minhas conclusões precipitadas e por minhas atitudes sem ter no que me basear. Me desculpe, por não merecer nem metade do que você me ofereceu. Me desculpe por achar sempre que o mundo está conspirando contra mim. Porque eu sei - sempre soube - que você era diferente da maioria e que você jamais faria algo para me magoar. Me desculpe por não ter acreditado em suas palavras, por mais sinceras que fossem. Você deve ser a melhor pessoa que já conheci, e eu sou a pior. Eu não mereço alguém como você. Não mesmo.

Just another tuesday

Cabelos longos; vestida de preto. Entre tantas outras pessoas, ela era que se destacava.
Em uma terça-feira, sentada nos degraus de uma escada que levaria até a igreja, estava uma menina, com um caderno na mão.
Seus olhos demonstravam preocupação, e diante do que sentia, talvez fosse o olhar adequado. Ela olhava, na vã esperança de encontrar a única, entre todas as bilhões de pessoas existentes no mundo, capaz de estampar um sorriso sincero naquele rosto visivelmente entristecido.
Ela olhava, de poucos em poucos segundos, e procurava o que não a pertencia. E quanto mais o tempo passava, mais se convencia de que jamais sorriria sinceramente, e de que estava aprisionada em uma vida de lágrimas e mesmice.

I wanna stay here forever and always

Começou rápido, foi longe. Muito mais rápido e muito mais longe do que eu esperava-temia. Aconteceu muito em tão pouco tempo e, nada nem ninguém, nem mesmo nós fomos capazes de desacelerar ou parar isso. Foi rápido, principalmente pra mim. Eu, que acredito que as coisas levam tempo, e que tempo é um fator fundamental para que algo aconteça. Eu, que vivia iludida com fatos paralelos, e que nunca imaginava estar no lugar em que estive, fazendo o papel que fiz. Estranho, talvez. Notei que tudo parece ser estranho pra mim. Tudo é “fora do comum”. Meu medo de mudanças, mais uma vez, torna-se aparente. Mas desta vez a mudança foi boa: um sorriso surgiu. Um sorriso sincero. Algo, que havia me abandonado tempos atrás. Um sorriso sincero, que trouxe a mim uma felicidade sólida, não aquelas em que vêm e vão rapidamente. Não. Desta vez, ela permaneceu. Ou quase isso.
O que foi que perdi? Do vinho para água, assim, tudo se transformou. O que antes era bom, de repente, se tornou uma desgraça. Juro não ter visto como ou quando. Dias antes estava bem e, muda tão negativamente, assim, mais uma vez, rápido. Dessa vez foi rápido demais. Tão rápido que mal fui capaz de ver. Eu te odeio. Você é um idiota. Você não tem coração. Você me irrita, me enoja. Morra. Morra agora. Morra e não grite socorro, porque não, eu não vou te salvar. Idiota. Imbecil. Dramático. Suma. Suma e nunca mais volte. Nunca mais. Nunca.
Mas não foi bem assim. Você gritou socorro, eu te ajudei. Como? Idiota, imbecil. Não você, eu. Eu caí de novo, na mesma armadilha. Eu disse que te amava. Eu disse. Eu disse e sentia. Uma conclusão: preciso de você, mesmo que eu não queira. Meu oxigênio, minha alma, meu coração. Você se tornou, feliz ou infelizmente, tudo na minha vida. Na minha mente ecoava seu nome, e meus olhos só eram capazes de ver o teu rosto. Otária! Ingênua! Fraca! Eu não passo disto. Vício, droga. Eu dependia de você, pra viver. Já não me importava mais se eu era ou não como um brinquedo pra você. Eu gostava de ser usada. Muito.
Mas foi bem mais que isso. Não estava sendo usada. Não desta vez. Sim, pela primeira vez senti ser sincero, e pela primeira vez pude ver em seus olhos algo a mais que o que antes eu via. Pude perceber que meu sentimento era recíproco, que você estava quase tão perdido e obcecado quanto eu. Senti que não era a única.
Esqueça! Esqueça tudo aquilo que disse. Esqueça tudo aquilo que passamos. Esqueça as brigas sem motivo algum e esqueça minhas atitudes infantis. Eu estou aqui, pronta, pra recomeçar. Recomeçar e nunca, jamais parar. É aqui o lugar onde pertenço, tenho certeza disso. Para sempre, sempre.

Help me if you can, I'm feeling down

Lembro de suas palavras, tão claramente como se acabasse de pronunciá-las. A cada palavra, uma verdade dita; uma lágrima derramada.
E pensar que o problema o tempo todo era eu... 
Eu que mudei, eu que regredi, eu que comecei com tudo isso. Eu que perfurei este meu corpo frágil. No final, eu era inimiga de mim mesma. Foi tudo culpa minha. Tudo.
Preciso de ajuda, pra voltar a ser quem eu era. Sinto saudades de pouco tempo atrás. Saudades da minha vida, dos meus amigos (...) saudades de mim.
Me tornei tão ridícula assim, a ponto de perder tudo? Tudo que mais amei, hoje já não me pertence mais - se é que um dia pertenceu. Nunca, em toda minha vida, desejei tanto mudar quanto agora. Nunca desejei tanto me entender, porque percebo o quanto isso se tornou necessário.
E se você diz - afirma - que não estou mais a mesma, seria tão difícil me dizer por quê? Preciso de sua ajuda. Preciso.

Have you ever been so lost?

Não. Não estou em nenhum país, estado, ou até mesmo em uma rua que eu desconheça. A palavra "perdida" toma outro significado no momento. 

Olho em todas as direções, mas nada. Não tenho ideia de onde devo ir, nem até quando devo seguir. Essa estrada me levará ao desconhecido, não sei se é o caminho certo. Nunca soube.
Antes, andava sem me preocupar com o que o destino preparou pra mim. Hoje percebo meu erro. Agora me sinto perdida, pois andei muito tempo cega, sem ver aonde estava pisando e agora já não sei mais onde estou. Mais uma vez, os erros do meu passado atuam negativamente hoje. 

Eu queria mais uma chance, começar um novo caminho, em uma nova estrada. Queria poder voltar atrás, mas andei muito e não tenho forças para recomeçar. Estou perdida, sem saber qual direção devo tomar. Quanto mais ando, mais me arrependo de meus passos; mais quero voltar. Hoje já não estou mais onde queria estar.

As vezes fico pensando: será que é só comigo que isso acontece? Não vejo as pessoas tão desorientadas quanto eu. Parecem saber onde estão. Já eu não. Não faço a menor ideia.

08-04-2010

De fato, muitas coisas mudaram. Não me lembro do meu primeiro "8 de Abril", mas obviamente teve mais sentido para os outros do que pra mim.
Aqui estou eu, no meu décimo quarto aniversário. Já se passaram quatorze anos de quando vim ao mundo. Minha mãe, ainda viva, provavelmente sorria por ver o fruto de um trabalho de nove meses, ali, ao seu lado. Meu pai, também vivo, olhava para meu rosto com uma felicidade quase tão grande quanto a de minha mãe. Assim é como imagino a cena de quando vi a luz pela primeira vez.
Era uma criança como qualquer outra. Gostava de bonecas, andava com um tal grupo de meninas da minha idade, escutava as mesmas coisas (...). Nunca tive personalidade própria, confesso. Sempre segui a maioria.
As vezes tenho ódio do tempo, mas tenho que admitir que sou eternamente grata a ele. Hoje, já com quatorze anos, não posso mais dizer que sou o que era antes. Claro, todos mudaram. Mas eu não simplesmente continuei seguindo em frente, mas mudei completamente o rumo de minha vida, e comecei a viver unicamente da forma que eu quero. Meus gostos são baseados na minha vontade.
Hoje me destaco por ser diferente. Muitas vezes sou criticada pelo meu gosto um tanto quanto 'exótico'.
Já não imagino sair de minha boca as mesmas palavras que saem da boca das pessoas da minha idade. Nem meu pensamento sequer é o mesmo. Talvez eu seja excluída por conta disso, mas quem eu realmente me importo, está ao meu lado.
E aqui estou eu, comemorando meu aniversário. Depois de um dia um tanto quanto complicado, por ter se revoltado com minha falta de liberdade, posso afirmar que foi o melhor aniversário de toda minha vida.

Eu posso ver os sinais

Nunca desejei tanto em minha vida sumir. Pegar um teletransporte e ir para um lugar onde qualquer um desconheça, menos eu. Não pensei que seria assim, nem que essa dor chegaria tão rápido. 
O mais estranho é que a raiva está toda voltada a mim. Estou com um ódio tão profundo de mim mesma, sendo que sou apenas uma vítima do fato de não poder controlar ninguém. Por que teve que ser assim, tão rápido? Deveria eu, ter me preparado para isso antes? 
As perguntas inundam minha mente, no momento tão confusa. Desejo gritar, chorar, sem ter medo ou vergonha de alguém me ver. A sensação é muito pior do que a que imaginei, mesmo sabendo que não tenho que me preocupar com nada.
Mais uma vez, meu ódio por mudanças se mostra aparente. Mas, infelizmente, eu não tenho a opção de abrir a janela e gritar com clareza, todas as palavras presas dentro de mim. Não posso, sei disso. 
Não é problema meu, não deveria me sentir tão mal assim. A culpa não é minha; quem vai perder ou ganhar alguma coisa com isso não sou eu. Então me diz, por que sou a que mais se sente afetada por isso?
Estranho a sensação de nojo que estou agora, de tudo e todos. Olho para qualquer coisa e sinto como se aquilo fosse repleto de culpa. Não era para ser algo tão ruim assim, sei disso. Mas também sei, e somente eu sei o quão mal estou agora. Isso muda uma vida, a minha.
É tão ruim a sensação de ter certeza de algo assim. Não tenho nada para confirmar tal hipótese, mas insisto no fato de que estou certa. E, infelizmente, estou.

Encontrei-me em um mar de desespero

Estive perdida por um tempo, entre linhas traçadas em completa desordem. Perdi o que mais amava, ganhei o que mais temia. Fui derrubada por uma série de negações vindo em minha direção. Levantei, fingi ser forte, e com isso consegui enganar a mim mesma. Mas não demorou muito para que eu já estivesse no chão novamente. Desisti.
Tentei forçar mais um sorriso, demonstrar confiança. Disse que não ligava, enquanto isso me consumia por dentro. Uma camada de frieza cobriu-me e me fez acreditar que sou alguém que não sou. Olhava para o espelho e não me reconhecia. Aquela não era eu.
As lágrimas já não causavam o mesmo impacto, as palavras já não significavam muita coisa. Todo o nada que sentia estava preso e, pelo que via, nada me faria soltá-lo. E todo o nada fora preenchido com uma substância devastadora.
É estranho, pensar que você se tornou tudo aquilo que mais batalhou contra. E foi isso. Pensava que jamais me decepcionaria de tal forma, mas não foi bem assim.

Do they have radios in heaven?

Minha felicidade se resume em poder ver o teu sorriso. Na segurança do saber que, acima de tudo, jamais estarei sozinha. Ter você vale mais do que qualquer coisa. Não sabia que junto a ti, iria embora minha felicidade.
O que eu mais quero eu jamais terei. Só quero ter um ombro, alguém que passe a mão em minha cabeça e diga que tudo acabará bem, e que não importa o que houver, terá sempre alguém que me ame, mais do que qualquer um. Quero algum motivo para respirar, alguém para ter orgulho de mim, por mais que eu seja uma completa fracassada. Quero alguém para me fazer pagar mico, me xingar, me bater, me punir pelos meus erros por mais que eu ache que estou certa, mas que, quando eu estiver mal, fique ao meu lado, cada segundo.
Eu não quero nada de mais, só quero você de volta.

Come on, turn up the sun

Longe de casa, longe de mim. Perdida, como sempre, entre as mesmas ruas e os mesmos pensamentos. Procuro a saída. Nada. Os mesmos, sempre os mesmos caminhos dos quais tenho de percorrer. Não consigo. Sou fraca. Respirar torna-se um esforço inútil. Sem motivo. Sem razão. Não sou nada. A mesma mistura, sangue e covardia, que me consome a cada mísero segundo que se passa.
Passe logo.
Chegue logo.
Acabe logo.
Por favor, depressa. Já não aguento mais esperar.
Os sonhos. O nada. Tornam-se semelhantes, ou até mesmo iguais. Deles vêm a mesma substância: desilusão. Por não ser nada. Por ser um fracasso. Essa sou eu, ou, nem sou. Me procuro. Não encontro. Talvez eu não exista. Devo ser somente uma ilusão. Mais uma. Cansei. Cansei de tantas ilusões.
A mesma longa e sinuosa estrada, e nela estou presa. Um obstáculo. Não consigo. É maior que eu. Onde está meu céu? Onde estão meus diamantes? Lucy se perdeu. Não encontra o caminho para casa.
Sol, brilhe para mim. Brilhe e torne tudo novo. Que seu brilho seja capaz de espantar toda essa escuridão que pairou sobre mim. Que ela vá embora. Vá, e não volte, nunca mais. Ilumine meu caminho para casa. Já não aguento mais estar perdida.

Ashes of the innocent

Ainda me lembro de algumas coisas. Ansiosa para ganhar mais uma, entre as tantas bonecas que eu tinha. Com apenas 6 anos, brincava livremente, dizia coisas que ouvia dos outros, sem entender o que era. Cada palavra que eu aprendia, era um mundo novo que eu descobria. Logo você já me via lendo letreiros das ruas, com um certo esforço, e me orgulhando de cada frase que eu completava.
Tudo era tão doce, tão inocente. Não tinha maldade na cabeça, e achava que tudo sempre iria acabar bem, como nos filmes e nos desenhos que eu assistia.
Como eu sinto saudades da época em que eu era criança, com a mente completamente desocupada, com o coração totalmente aberto para sentimentos jamais sentidos antes.
Essa magia, com o tempo, foi sumindo. Tudo que era tão colorido, foi se tornando cada vez mais cinza.
Comecei a ver coisas que antes não via. Comecei a sentir coisas que antes não sentia. Percebi o tanto de coisas ruins que me ocultaram quando eu era menor, e que foram se revelando com o passar do tempo. Fui percebendo que nem tudo era tão bom como antes parecia ser.  Começaram a surgir dificuldades, e os erros se tornavam mais graves. Nada parecia o mesmo.
Mais pra frente, outras mudanças surgiam. Tudo foi mudando tão de repente. Comecei a pensar de outra forma, e a tomar atitudes diferentes. Comecei a sofrer por amor e por erros do passado; comecei a ter que dedicar mais tempo com estudos; conheci de verdade as pessoas, que antes eu julgava conhecer, mas não conhecia de fato.
Mudanças ocorrem constantemente e eu permaneço parada, procurando entender o que está acontecendo. Hoje fico imaginando as mudanças de amanhã, e imaginando se lidarei da mesma forma ou se estarei mais preparada. Agora só me resta esperar.

Am I obsessed with you?

Confesso que insisti demais em um amor que eu sabia que não daria certo. Talvez fui iludida e cheguei a pensar que seria algo saudável. Mas, com o meu jeito sensível, desenvolvi um enorme apego e me entreguei a uma paixão inocente, que acabou se transformando em amor.
Talvez por um lado tenha sido bom. Tento seguir com o pensamento de que isso me deixa mais madura. Há, de fato, uma possibilidade disso ter acontecido. Mas, as vezes acho exagero, e também muito cedo para crescer nesse aspecto.
Eu mudei por você. Procurando entender o que você vê de tão errado em mim, e tentando reparar cada fragmento ruim que possuo. Tentei eliminar todos os motivos, possíveis e aceitáveis, dos quais você usa para justificar a enorme ignorância que tem. E já cansei de ouvir discussos repetitivos e cansativos, de pessoas tentando me fazer acreditar que algum dia eu o esquecerei. Não acredito que eu deixe de te amar, pois o que eu sinto é sincero.
Passo dias tentando entender o que há de tão errado  comigo, mas cheguei a conclusão de que a única resposta é: amar você. O que me dói é pensar no fato de que você está ciente disso, mas ignora o que faz comigo. Parece que há algo que o impede de ver a dor e o sofrimento que você causa em mim, pois se fosse capaz de ver, talvez deixasse de ser tão insensível.
Me desculpe se te amo, e se você é tudo que eu "tenho". Não queria amar você. Não se para isso eu tivesse que passar por tudo que estou passando. Prefiria dedicar meus dias com sorrisos, e não com lágrimas por um amor não correspondido. Não te obrigo a gostar de mim, nem a ficar comigo. Só te peço, como um favor enorme, que seja mais compreensível comigo, e que tente parar de me fazer sofrer.

30-10-2009

Era uma sexta-feira qualquer. Tinha acabado de acordar e estava indo para a escola. O sono tomava conta de mim. Entrei no especial, pensando em todas as coisas cansativas que eu teria que fazer. Tinha prova de geografia e não me sentia preparada. Estava ouvindo música no meu Ipod. Eu ainda me lembro: Mixed up - Miley Cyrus. Era essa a música que tocava, quando meus olhos fixos à janela captaram aquela imagem, que me era familiar. 
Minutos antes eu havia pensado: "ele poderia aparecer agora". E depois de instantes, eu o vi. Vi aquele garoto, vindo em minha direção, atravessando a rua, com mochila nas costas e uma blusa de frio por baixo do uniforme. Naquele minuto eu estava presenciando a imagem mais linda de todo o mundo. E todo aquele desânimo que estava sobre mim, simplesmente foi embora! Eu comecei a gritar, tremer, e seguir todos os seus passos com o olhar. 
As pessoas do meu especial me encaravam, riam, ficavam sem entender. E eu gritava desesperadamente o seu nome lá dentro. Não com a intenção de te chamar. Era apenas minha maneira de expressar o que eu estava sentindo. A felicidade que eu sentia naquele momento era inexplicável. 
A sua imagem ficou em minha cabeça durante todo o dia. A felicidade dessa sexta-feira "qualquer" ainda está presente em mim e acho que nunca irá embora, porque foi um dos momentos mais lindos da minha vida. Eu senti, mais uma vez, que esse amor é verdadeiro, e que embora eu sofra muito, eu não estou jogando fora minha vida com um "falso amor", sabe? Eu sei que eu te amo de verdade, e que esses três anos, e os próximos que virão, são do mais puro e verdadeiro amor.
E pensar que era apenas mais uma sexta-feira...

(meu primeiríssimo texto)

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