Longe de casa, longe de mim. Perdida, como sempre, entre as mesmas ruas e os mesmos pensamentos. Procuro a saída. Nada. Os mesmos, sempre os mesmos caminhos dos quais tenho de percorrer. Não consigo. Sou fraca. Respirar torna-se um esforço inútil. Sem motivo. Sem razão. Não sou nada. A mesma mistura, sangue e covardia, que me consome a cada mísero segundo que se passa.
Passe logo.
Chegue logo.
Acabe logo.
Por favor, depressa. Já não aguento mais esperar.
Os sonhos. O nada. Tornam-se semelhantes, ou até mesmo iguais. Deles vêm a mesma substância: desilusão. Por não ser nada. Por ser um fracasso. Essa sou eu, ou, nem sou. Me procuro. Não encontro. Talvez eu não exista. Devo ser somente uma ilusão. Mais uma. Cansei. Cansei de tantas ilusões.
A mesma longa e sinuosa estrada, e nela estou presa. Um obstáculo. Não consigo. É maior que eu. Onde está meu céu? Onde estão meus diamantes? Lucy se perdeu. Não encontra o caminho para casa.
Sol, brilhe para mim. Brilhe e torne tudo novo. Que seu brilho seja capaz de espantar toda essa escuridão que pairou sobre mim. Que ela vá embora. Vá, e não volte, nunca mais. Ilumine meu caminho para casa. Já não aguento mais estar perdida.
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