segunda-feira, 15 de julho de 2019

We live a dying dream, if you know what I mean

Em busca do nada, retornei algumas vezes no mesmo pensamento inútil que há segundos anteriores havia se espalhado junto a atmosfera. Em minha cama, somente algumas folhas de papel com textos inacabados, um CD de Oasis que eu estava escutando repetidamente durante em média 5 horas, enquanto lia umas cartas antigas que encontrei por baixo de minha cama, em uma caixa um tanto quanto empoeirada. Junto das cartas, havia também alguns brinquedos velhos, uns movidos à pilha, mas que nem funcionam mais. Alguns vídeos cassetes de filmes infantis e algumas fotos de comemorações.
Em meio àquelas fotos, noto uma talvez um pouco peculiar. Minhas mãos avançam em direção a tal foto e, assim, a observo de forma atenta, mas ao mesmo tempo viajada. Não sei bem explicar. Tal foto me deixava nostalgica.
Na foto, três pessoas. Um homem, com uma barba mal feita, um cabelo meio desarrumado, roupas largas. Uma mulher, de cabelo liso, óculos redondos, um sorriso estampado no rosto e por fim, um bebê em suas mãos. Tão tola, mal pude perceber que aqueles na foto se tratam de, ninguém mais ninguém menos que eu e meus pais. Estranho. Talvez nem tanto, se você tem a oportunidade de conviver com eles durante toda sua vida. Talvez você me entendesse se os perdesse aos dois anos de idade, certo? Acredito que sim.
Olhava aquela foto e pensava "são completamente desconhecidos pra mim". E não passava disso: desconhecidos. Se alguém com a mesma aparência que meus pais me parasse na rua ou em qualquer tipo de lugar, os ignoraria e não olharia para trás. Todos vivem com o pensamento de que não conseguem imaginar sua vida sem seus pais. Bom, já eu, penso somente em como seria uma vida com pais. E isso, sinceramente, não me parece algo muito comum.
Me irrita, a ponto de encher meus olhos de raiva, quando dizem que sou uma "exceção". Não. Não sou exceção nenhuma. Sou o erro, o problema. Nasci somente com um objetivo: causar problemas. E, se este for mesmo o motivo pelo qual nasci, acredito que esteja o cumprindo de forma exemplar.
Vivo uma vida sem motivação, sem ter a quem ser motivo de orgulho. Talvez este seja o motivo pelo qual não faço nada direito. E, sabe, não tenho interesse algum em fazer algo corretamente. Acho que, bem, não sirvo pra nada. Sou um núcleo de falta de talento, em todos os sentidos possíveis e impossíveis. Vivo apenas escrevendo alguns textos, sem lógica alguma, para somente uma pessoa ler: eu. Escrevo, digo que amo e, realmente, amo mais do que qualquer coisa nessa vida. Mas nem mesmo o que mais gosto de fazer tenho a decência de fazer direito.
Então o que me resta? Apenas uma vida vazia. A mesma sala, os mesmos corredores indo na direção a quartos total e completamente vazios. Por mais que procure, jamais irei encontrar alguém ou algo dentro desta sala. O único movimento que sou capaz de observar é o de meu braço erguendo, até chegar próximo aos meus olhos, para secar as lágrimas que o tempo fora capaz de arrancar. 

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